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Rio Paraibuna

O nome do rio foi assim denominado pelos índios Caxinoás que viveram nesta região e atribuíram ao mesmo o nome de Parayuna por apresentar águas escuras devido as rochas de seu fundo (formações de granitos). O mesmo rio que na época foi testemunha de guerras, transporte de ouro e diamantes até a total industrialização de nossa região.

HIDROGRAFIA:

A cidade de Juiz de Fora possui uma rica rede de drenagem com várias artérias de pequena extensão.

A bacia do Paraibuna é formada por três rios principais: o Paraibuna, o kágado e o Peixe. O Paraibuna nasce na serra da Mantiqueira a 1.200 m de altitude e depois de percorrer 166 Km lança-se à margem esquerda do Rio Paraiba do Sul a 250 m de altitude.

O Rio Paraibuna segue no sentido noroeste – sul sudoeste, recebendo pequenos afluentes. A formação de terraços facilita a agricultura, ainda que pouco desenvolvida na região. Os 3 principais afluentes são: Rio Preto e Rio do Peixe ficam à margem direita e o Rio Kágado localizado à margem esquerda do Paraibuna.

Após receber o Rio Preto, o curso do Paraibuna passa a acompanhar a estrada de Ferro R.F.F.S.A tornando a partir daí o limite natural entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O modelo natural se dá devido à resistência horizontal das formações de argilas.

A formação de terraços e planos alveolares ao longo do curso médio do Paraibuna é ajudado pela dissecação das colinas.

Ao descer a escarpa da Mantiqueira, o Paraibuna passa a ter uma declividade em seu alto curso. Na região compreendida entre Chapéu D’Uvas e o centro de Juiz de fora o Paraibuna desce devagar com pequena declividade, em pontos excepcionais as características se alteram devido à formações rochosas.

Após a ponte Getúlio Vargas o regime do Rio torna-se torrencial, junto ao abrigo Santa Helena. À partir daí, o rio passa serpenteando um estreito e profundo vale rochoso, sendo entrecortado a pequenos intervalos por sucessivas corredeiras.

Próximo à usina de Marmelos o rio retorna sua declividade até Sobragy.

O Rio Paraibuna segue retilíneo dentro do município de Juiz de Fora, numa faixa de 32 Km de extensão com 4m de desnível por quilômetro.

Entre a ponte Pedro Marques (avenida Rio Branco) e Antônio Carlos (Rua Carlos Otto) há uma sensível elevação do fundo do rio, agravada pela decantação de descargas sólidas, retiradas pelo córrego Matirumbide e Ribeirão do Yung (em Linhares). Entre as pontes Arthur Bernardes (Rua Halfeld) e Antônio Carlos, a caixa fluvial apresenta insuficiência, provocando remanso de 1 m. O rio apresenta trechos de corredeiras fortes e outros de remanso com meandros. O primeiro, realça o potencial hidrelétrico e o segundo evita transbordamentos.

As ribas do Paraibuna são levemente inclinadas, baixas, argilosas e cobertas de vegetação. Seu é formado de pedra, areia, saibro e material sílico-argiloso.

Partindo de Barbosa Lage, o canal implantado pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento com 52m, passa a ter uma redução na largura, atingindo 40m após ultrapassar o afluente Três Pontes, em Benfica.

A calha natural em Benfica tem 25m de largura até Dias Tavares e em Chapéu D’Uvas 15m.

O Paraibuna é classificado como Tropical Austral, ou seja, possui época de águas baixas e época de águas altas.

Em época de cheias, o Paraibuna, leva de roldão ilhotas de assoreamento que se formam na seca. Isto se deve à falta de vegetação e florestas. Ocorre rápido escoamento superficial que agrava a erosão e não armazena água necessária para suprir o rio na época seca, sem falar das enchentes. Em setembro os solos ficam mais secos.

O APROVEITAMENTO DO RIO PARAIBUNA:

Apesar de modestos, os ribeirões dos Burros ou dos Pintos é responsável por alimentar a represa Dr. João Penido e tem um grande potencial hídrico.

Para atender a agricultura local alguns afluentes são represados. A irrigação artificial seria de grande incentivo ao setor agrícola e as perdas de colheitas seriam evitadas no prolongamento das secas. Fora das áreas industriais, há uma série de terraços não utilizados que seriam formidáveis para o desenvolvimento agrícola.

O potencial hidrelétrico já foi absorvido e a cidade recebe suplementação de energia para atender a crescente demanda.

A açudagem para a agricultura e controle de cheias pode fazer renascer o potencial do Paraibuna neste Setor.

Suas águas já abrigaram uma grande fauna fluvial.

O AFLUENTE RIO DO PEIXE:

Nasce em Lima Duarte, nas Serras Gerais, a 1200 m de altitude subafluente do Rio Paraiba do Sul pela margem direita a 500 m de altitude. Seu trecho final é limite de Juiz de Fora e Belmiro Braga e entre este e Matias Barbosa. São 140 Km de extensão com 70 Km banhando terras de Juiz de Fora. Fornece considerável potencial agropastoril. Uma de suas quedas, a cachoeira da Picada, tem condição de fornecer 76.500 KW de energia.

O AFLUENTE RIO KÁGADO:

Nasce em Chácara, próximo a Coronel Pacheco com 750 m de altitude. Corre no sentido SSW-ENE, depois N-S, passando a seguir a W-E e, finalmente, NE-SW, vindo a desaguar no Paraibuna pela margem esquerda com 300 m de altitude. É limite entre Juiz de Fora e Bicas. Dos 105 Km de curso, apenas 11 Km banham Juiz de Fora. Em seu vale se extrai calcário. Seu território municipal está em Sarandira, distrito de Juiz de Fora e é setor ideal para indústrias pesadas.

A REPRESA DR. JOÃO PENIDO:

A área da bacia do Ribeirão dos Burros (antigo Córrego dos Pintos) é de 68 Km², sua barragem propiciou fonte de abastecimento de água em qualidade e quantidade com altitude satisfatória. É difícil avaliar sua capacidade atual devido ao processo de colmatação e assoreamentos graves em sua bacia de acumulação. Estudos apontam sua reserva com capacidade de sustentar além da Segunda adutora, a futura duplicação da linha de adução.

AFLUENTES DO PARAIBUNA:

O Rio Paraibuna percorre nove cidades: Antônio Carlos, Santos Dumont, Ewbanck da Câmara, Matias Barbosa, Simão Pereira, Belmiro Braga, Santana do Deserto e Chiador e é claro, Juiz de Fora com 70% do seu curso.

Os afluentes dentro da zona urbana são: Ribeirão Ipiranga, Lamaçal, Matirumbide, Yung, São Pedro, Carlos Chagas, Humaitá, Ribeirão das Rosas, Facit, Artilharia, Rib. Dos Burros, Santa Cruz, Três Pontes e Ribeirão do Espírito Santo.

À jusante da barragem de Chapéu D’ Uvas temos:

1) Córrego Taboões (margem esquerda);

2) Ribeirão Estiva (margem esquerda);

3) Ribeirão do Espírito Santo (margem direita);

4) Córrego Três Pontes (margem direita);

5) Córrego Santa Cruz (margem direita) - Obs: O Córrego Nova Era II deságua do Santa Cruz;

6) Ribeirão dos Burros (Represa João Penido) (margem esquerda);

7) Córrego da Artilharia (margem direita);

8) Córrego Facit (margem direita);

9) Ribeirão das Rosas (Muçungê) (margem esquerda);

10) Córrego Humaitá (margem direita) – Milho Branco;

11) Córrego Carlos Chagas (margem direita);

12) Córrego da Tapera (margem esquerda);

13) Ribeirão São Pedro (margem direita);

14) Córrego Matirumbide (margem esquerda);

15) Ribeirão do Yung (Linhares) (margem esquerda);

16) Córrego Independência (onde o Lamaçal deságua - margem direita) - Obs: O Córrego do Lamaçal deságua no Independência;

17) Córrego Ipiranga (margem direita) – deságua a jusante da cidade – este recebe córregos do acesso a Salvaterra, São Judas Tadeu, Vale Verde, etc.

A importância do rio Parayuna , inicia-se junto à corrida do ouro em Minas Gerais.

Preocupado com os ladrões que fugiam do fisco português, em 1703 o rei de Portugal encarregou o sertanista Garcia Rodrigues Paes de fazer uma picada que partindo da borda do campo, fosse a raiz da serra, no Rio de Janeiro. Este novo trajeto denominou-se “caminho novo que seguia a margem esquerda do Rio Paraibuna, afastando-se do rio apenas para desviar de grandes montanhas, por onde passariam tropas carregadas de ouro e diamantes extraídos das minas. Esta viagem de Minas Gerais para o Rio de Janeiro levava no mínimo doze dias.

O caminho novo era rota comercial, econômica e estratégica, lugar de tocaias e assaltos. Em seu trajeto surgiram ranchos, hospedarias e postos de fiscalização das riquezas. Em sua volta surgiram os primeiros povoamentos. Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de Fora), Borda do Campo (Barbacena) e João Gomes (Santos Dumont).

Através das sesmarias, que eram terras doadas pelo governo imperial a nobres e súditos que prestavam serviços à coroa, foi estimulada a fixação de famílias neste chão.

O caminho novo funcionou até 1836. Nesta época o povoamento de Paraibuna, que foi o seu primeiro nome, para em seguida ser chamado de Santo Antônio do Paraibuna (atual Juiz de Fora), era formado por pequenas e poucas casas, e precisava ser melhorada a comunicação entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Foi então que o governo da província atribuiu ao engenheiro Fernando Henrique Guilherme Halfeld a função de construir um novo acesso entre os dois estados, chamado de estrada de rodagem do Paraibuna. Halfeld seguiu parte do traçado do caminho novo, mas mudou a rota a partir de região conhecida como Benfica.

Nesse tempo, o povoamento de Santo Antônio do Paraibuna ocupava apenas o lado esquerdo do rio. Com o novo trajeto que o engenheiro havia projetado usando o lado direito, fez com que fosse ocupada a colina do Alto dos Passos, abandonando assim o núcleo da antiga fazenda de Juiz de Fora.

A estrada do Paraibuna deu origem à rua principal, atual Avenida Rio Branco. Em 1850, os fazendeiros começaram a ocupar em torno da Avenida, onde formou-se um comércio forte.

Em 1860 esta estrada também não suportava mais o trânsito, então o barbacenense Mariano Procópio, construiu a estrada União Indústria . Mas esta durou pouco tempo em seu apogeu por diversos problemas, caindo no esquecimento. Seis anos após sua construção, chega a ferrovia Dom Pedro II, conseguindo transformar Juiz de Fora em um Polo Industrial, facilitando o escoamento da produção cafeeira em Minas.

Com o crescimento da cidade e a vinda dos imigrantes, trazendo a industrialização, o Rio Paraibuna destacou-se mais uma vez por seu potencial hídrico. O industrial Bernardo Mascarenhas construiu a primeira Usina Hidrelétrica da América do Sul, inaugurada em 1889. As águas da cachoeira de Marmelos transformaram Juiz de Fora na Manchester Mineira de Rui Barbosa. Esta primeira hidrelétrica chamava-se Marmelos Zero e produzia 250 KW, o suficiente para abastecer 1.080 residências na época. Oito anos depois foi inaugurada a Usina 1, com potência energética 8 vezes maior. Em 1915 foi inaugurada a Usina 2 e duas décadas depois a Usina 3, e em 1950 a Usina 4, todas próximas a Marmelos.

Até hoje 12,5% do Abastecimento energético de Juiz de Fora é mantido pelas usinas do Rio Paraibuna, conhecidas como Joasal, paciência e Marmelos.

A energia elétrica deu força para a industrialização da região. No fim do século XIX, Juiz de Fora já contava com 20 indústrias, destacando-se o Setor Têxtil. Mas com essa industrialização teve início a morte do Rio Paraibuna.

A industrialização trazia cada vez mais pessoas em busca de emprego e no ano de 1880 o município já contava com 6.000 habitantes. As matas ciliares desde então já vinham sendo destruídas pelo plantio do café. Com a queda do café veio a era do leite. Nova modificação foi feita para implantação de pastos, o que aumentou o assoreamento e a erosão das encostas.

Enquanto isso a cidade crescia sem se preocupar com o Paraibuna, que era considerado um rio muito tortuoso e que às vezes incomodava. Foram feitos vários aterros para maior comodidade da população. Modificando a calha do rio e diminuindo a sua vazão, principalmente na época das chuvas.

Foi nos anos de 1906 e 1940 que a população acordou para o que tinha feito ao rio. As enchentes tomaram conta das partes mais baixas da cidade, atingindo as regiões de Costa Carvalho, Largo do Riachuelo, Mariano Procópio, Avenidas Getúlio Vargas, Rio Branco, Francisco Bernardino e Praças João Penido e Antônio Carlos, chegando as águas a mais de 2 metros de altura.

As autoridades da saúde providenciaram vacinas para a população, a fim de evitar um surto epidêmico.

Depois de 1940, a cidade de Juiz de Fora passou a fazer parte do programa especial de defesa contra enchentes e recuperações de vales, do governo federal. Então resolveram fazer a retificação do rio.

O Departamento Nacional de Obra e Saneamento modificou o curso do rio no perímetro urbano, fazendo dragagem, desmonte de rochas, escavações, aterros, proteção das margens, reconstrução e alargamento de pontes, desvio da rodovia União Indústria e desapropriações.

O trabalho visou aumentar a declividade na zona urbana, expandindo sua capacidade de vazão de 120 para 340m³ por segundo, como se encontra até hoje. Após ultrapassar a área central da cidade, o rio segue seu curso normal.

Em 1960, com a construção da Avenida Brasil, a calha do Rio Paraibuna foi ampliada e suas curvas ganharam um traço mais harmônico.

O PRESENTE:

Com o desenvolvimento de Juiz de Fora, houve um aumento proporcional da poluição, que agravou o estado do Rio Paraibuna, levando à situação atual. De acordo com os estudos realizados pelo professor PhD e cientista da Universidade Federal de Viçosa, Cláudio Pereira Jordão, o leito do Rio Paraibuna contém metais pesados em índices alarmantes. Os últimos dados apresentados são de 1994, mas como ainda não foram tomadas as devidas providências, estima-se que a situação tenha piorado. As análises químicas dos sedimentos fluviais mostram a existência de (metais pesados tais como: cádmio, zinco, chumbo, cobre e cromo, que estão concentrados principalmente perto das indústrias metalúrgicas).

Por esse motivo, os peixes capturados diariamente nas margens do Paraibuna não devem ser consumidos, sob o risco da pessoa ser afetada por várias doenças provocadas por agentes nocivos à saúde. O cádmio, por exemplo, pode gerar complicações pulmonares, renais e hepáticas, culminando com vários tipos de canceres. O chumbo causa anemia, distúrbios na síntese de hemoglobina, danos ao sistema nervoso e rins.

O professor observa que diversas cidades que tem como fonte de abastecimento de água o Paraibuna, foram prejudicadas por vazamentos de lamas tóxicas (jarosita) causadas por acidentes que já ocorreram com a indústria Paraibuna de Metais atual grupo Paranapanema. Ele lembra ainda que essas águas são usadas também para a irrigação de hortas, cujo produto é consumido pela população local.

Segundo a Resolução do Conselho Nacional do meio Ambiente (CONAMA), os valores permitidos nas águas dos rios são em partes por bilhão – 180 para o zinco, 1 para o cádmio, 30 para o chumbo e 20 para o cobre. O estudo demonstrou que os metais pesados, após despejados nos rios, são transportados a longas distâncias, pela associação com o material particulado presente nas águas.

Contaminação como a do Cromo em tecido muscular de peixes foi observada no Paraibuna, em Juiz de Fora e Matias Barbosa, cujos valores foram 5 e 16 vezes maiores, respectivamente, aos valores permitidos pela legislação. É provável, segundo o pesquisador, que esta contaminação venha de descargas de efluentes de Curtume.

Cláudio Jordão lembra que para solucionar o problema é preciso instalar estações de tratamento de efluentes (ETES) industriais eficazes. Ele afirma que já ocorreram cinco acidentes ecológicos provocados por lançamentos de produtos tóxicos pela Paraibuna de Metais. “Em Levy Gasparian/RJ, não há vida aquática em função dos desastres ecológicos ocorridos em Juiz de Fora”, considerando-se que a vida útil destes metais mencionados é de 15 a 30 anos.

Ele desenvolveu uma técnica de baixo custo para a retirada de metais pesados dos afluentes que são aplicados em vários tipos de indústrias. O trabalho, segundo o pesquisador, foi apresentado à Paraibuna de Metais, que não demonstrou interesse.

Análise de metais pesados realizada em 1994:

Cádmio: a quantidade de partículas detectada foi 8.500 vezes superior aos índices normais permitidos.

Aplicação: uso em revestimentos metálicos, em pigmentos, em operações de galvanoplastia, solda, preparação de liga e em fotografia.

Quadro de intoxicação: alterações pulmonares, urinárias.

Chumbo: a quantidade de partículas detectadas foi 550 vezes superior aos índices normais permitidos por lei.

Aplicação: fábrica de tintas, esmaltes e vernizes, munição, protetores radiológicos, uso de baterias, tubulações, tipografias, linotipos, limpeza de tanques de gasolina, uso em soldas e metalurgia.

Quadro de intoxicação: sintomatologia geral e anorexia, cansaço, secura nasal, astenia, cólicas, anemia, alterações dérmicas e do ritmo intestinal.

Zinco: a quantidade de partículas detectadas foi de 500 vezes superior aos índices normais permitidos.

Aplicação: não indicada. (várias)

Quadro de intoxicação: não indicada.

Cobre: foi detectada uma quantidade de partículas 670 vezes superior aos índices permitidos por lei.

Aplicação: não indicada.

Quadro de intoxicação: não indicada.

ESGOTOS:

Sendo de múltiplos usos, tais como: geração de energia elétrica, abastecimento industrial, irrigação, lazer, consumo animal – o Rio Paraibuna recebe em seu leito grande volume de esgotos domésticos sem qualquer tratamento, além de esgoto não doméstico de alto grau de concentração e toxicidade, sendo considerado um rio “morto” entre a cidade de Juiz de Fora e a Barragem de Joasal (antiga Usina Quatro), no município de Juiz de Fora.

Os 501 mil habitantes de Juiz de Fora constituem 79% da população do Rio Paraibuna, representando a principal fonte poluidora não apenas do Rio Paraibuna como também uma das maiores da bacia do Rio Paraíba do Sul (Rio Federal pois banha os estados de MG,RJ e SP) , cujo curso atravessa estas regiões de forte concentração industrial e populacional nos referidos estados e portanto muito poluído.

A degradação da qualidade de suas águas ao longo dos últimos anos tem, portanto, impactos altamente negativos. A busca de alternativas para a localização de fontes de abastecimento de água para consumo humano, particularmente nas cidades de médio e grande portes, tem significado investimentos cada vez mais elevados.

O tratamento e o efetivo combate à poluição da Bacia do Rio Paraibuna apresenta-se assim, como uma necessidade inadiável, devendo as ações de caráter local refletir as diretrizes da política nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos.

Outro motivo de preocupações é a existência de redes ditas mistas, ou seja, que recebem contribuições tanto de esgoto doméstico quanto de águas pluviais, acarretando, dentre outros distúrbios, grande mal cheiro em épocas de estiagem, além de trazer um aumento significativo do volume de água servida a ser tratada nas ETES.

Constantes entupimentos e rompimentos na redes também são observados, principalmente devido ao volume de terra e da gama de resíduos sólidos carreados nas estações chuvosas.

Outro fator impactante de grande importância é o assoreamento do Rio Paraibuna e seus principais afluentes, provocado pelo processo erosivo verificado em várias áreas de Juiz de Fora, causado pela retirada da cobertura vegetal natural existente, sem os cuidados técnicos necessários ao manejo adequado dos solos.

Devem, ainda, ser considerados cursos d’água que, por drenarem bacias de algum tamanho, podem ou não ter condição de receberem os efluentes domésticos e industriais, que ainda hoje são lançados “in natura” nos cursos d’água. A insuficiência dos controles de emissão ou da infra-estrutura para tratamento desses efluentes compromete a qualidade das águas para qualquer finalidade, especialmente para o abastecimento público.

O FUTURO

Um novo sistema está sendo adotado (através de etapas) para conseguirmos finalmente a despoluiçãao total do Paraibuna.

De acordo com o previsto no Plano Diretor da cidade, Juiz de Fora deverá despoluir o rio Paraibuna tratando 100% de seu esgoto até o ano 2.050, tarefa semelhante a que a Inglaterra (País de Primeiro Mundo) cumpriu em 18 anos com o Tâmisa, em Londres. O projeto foi iniciado com a estação do bairro Barreira do Triunfo, que trata o esgoto de dez mil pessoas, mas o primeiro grande desafio da Cesama é o sistema Barbosa Lage, cuja obra está orçada em cerca de R$16 milhões, e será concluída totalmente até o fim de 2002. Mas, um dos módulos deverá estar em funcionamento ainda este ano. Com o novo sistema a cidade terá cerca de 40% de seu esgoto tratado.

A ETE de Barbosa Lage atenderá à região norte de Juiz de Fora e terá capacidade para receber apenas 20 litros/s. Para acelerar o início de sua operação, o sistema foi dividido em quatro módulos independentes, cada um com capacidade para tratar 145 litros por segundo.

“As unidades vão começar a funcionar assim que estiverem concluídas, a partir deste ano ainda.” (O GLOBO, 2001:10).

“Tratar o esgoto da cidade é um passo adiante que damos. Abastecemos 99% das casas com água tratada e recolhemos esgoto em 98% delas. Agora, vamos levar mais qualidade de vida ao morador, despoluindo o Paraibuna – afirma o Diretor Presidente da Cesama, Eng. Jean Kamil” (O GLOBO, 2001:10).

PLANO DIRETOR

O Plano Diretor de esgotos sanitários de 1986, tem como princípio a divisão da área urbana em sub-bacias, bem como o atendimento às povoações isoladas do município. O sistema de esgotamento sanitário de Juiz de Fora é apresentado no plano diretor com 31 sub-bacias na área urbana, organizadas de forma a se destinar os afluentes às estações de Tratamento de Esgotos (ETE’s).

Como primeira etapa, a área abrangida envolveu a região norte da cidade, compreendendo as seguintes bacias: Barreira do Triunfo e imediações além da área compreendida pela montadora Mercedes Benz.

Baseado no plano diretor, o corpo técnico da Cesama, órgão concessionário e operador do sistema de água e esgoto na cidade, considerou como primeira etapa a construção da ETE Zona norte e sub-bacias acima mencionadas, com respectivas redes coletoras, coletoras-tronco e interceptores.

Segundo estudos realizados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento (IPPLAN), da Prefeitura de Juiz de Fora, o vetor de crescimento da cidade aponta para a região norte, tanto pelo fato das outras regiões da cidade não possuírem áreas de expansão a contento, quanto a região norte dispor de áreas para expansão industrial e habitacional.

Como é também naquela região que se encontra o pólo industrial, o distrito industrial de Juiz de Fora reúne condições favoráveis ao seu incremento na conjuntura econômica atual, haja vista a instalação da montadora de veículos alemã Mercedes Benz e de empresas que virão dar-lhe suporte logístico, além do fomento à instalação de novas indústrias por parte da Prefeitura.

Com a entrada em operação da ETE zona norte, o futuro crescimento da região deverá ser ordenado, possibilitando uma ocupação em sintonia com os padrões urbanísticos modernos, com infra-estrutura e planejamento.

A opção por fazer a primeira etapa certamente não possibilitará a completa e total despoluição do Rio Paraibuna. Entretanto, um grande passo foi dado, uma vez que a poluição a montante estaria equacionada, permitindo ao Paraibuna cortar a cidade de Juiz de Fora menos poluído.

FUNCIONAMENTO DA ETE

Quando utilizamos a água em nosso dia-a-dia, seja no banho, escovando os dentes ou lavando roupas, nós estamos produzindo esgoto. O tratamento de efluentes é um processo relativamente simples, em que os detritos e matéria orgânica são separados da água para que ela seja devolvida limpa ao meio ambiente.

Na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barbosa Lage, o esgoto atravessa grades a fim de reter materiais maiores como latas, madeiras, papelões, panos e papéis. Em seguida, ele passa por uma caixa que tem como objetivo remover a areia presente nele. No tanque de aeração, os efluentes são colocados em contato com microrganismos que se alimentam de matéria orgânica. O esgoto então passa por um decantador, onde é separada a parte sólida da líquida, sendo essa última lançada no Rio Paraibuna. Os sólidos passam por um processo de digestão e centrifugação do lodo, retornando sua parte líquida para o tratamento e a sólida para o aterro sanitário.

Ao fim deste processo, a eficiência do tratamento é de aproximadamente 95%, o que contribui para reduzir ou eliminar a incidência de verminoses, diarreias, cistites, conjuntivites, cólera, febres, tioides, esquistossomoses e hepatites, entre tantas outras doenças.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar das condições críticas em que se encontra o Rio Paraibuna, acreditamos na aplicação de técnicas capazes de promover uma significativa despoluição deste importante curso d’água. Considerando o permanente processo de crescimento da cidade, além das muitas dificuldades em se implantar um eficiente sistema de fiscalização por toda a extensão do rio em seu perímetro urbano, pensamos que a intenção de despoluí-lo totalmente seja um tanto quanto utópico, apesar de existirem projetos em fase de elaboração e de execução, visando desviar o esgoto antes da sua chegada ao Paraibuna, para que seja devidamente tratado e somente após lançado ao rio (diminuição da carga poluidora).

Uma das grandes dificuldades para a despoluição do Rio Paraibuna refere-se não apenas às técnicas a serem empregadas, mas à conscientização da população, que de uma maneira geral mantém o velho hábito de jogar lixo e outros detritos em seu leito (ausência de educação ambiental). Outro fator preocupante é a falta de continuidade de ações, devido à alternância política na administração do município, ocorrendo, por vezes, uma interrupção ou abandono total dos trabalhos. Seria necessário que os novos administradores municipais também se conscientizassem da importância da preservação, assumindo o compromisso de dar continuidade a todas as ações que de fato trouxessem benefícios à comunidade local, bem como àquelas que ficam à jusante do Rio Paraibuna.

Uma grande preocupação dos ambientalistas, hoje, diz respeito à crescente redução da oferta de água potável em várias partes do mundo. Muitos crêem que, mantido o ritmo de degradação ambiental, num futuro bem próximo ao que muitos imaginam os homens estarão guerreando por água, ao invés de petróleo, com conseqüências muito mais sérias.

Dentro deste contexto, a nível local, já existem projetos voltados à finalidade de despoluir totalmente o Rio Paraibuna antes do ano 2.050, diante da real possibilidade de que, com o esgotamento dos atuais mananciais de abastecimento, venha a ser necessário retirar água do rio para consumo da população (reciclando a água para o consumo).

Guardamos a esperança de que o homem conscientize-se e reverta o quadro de destruição do ambiente em que vive, a fim de que não venha a tornar-se seu próprio algoz.

Bibliografia

STAICO, Jorge. A Bacia do Rio Paraibuna em Minas Gerais.

“A Natureza”. Juiz de Fora: UFJF, 1997.246p.

SAMPAIO, Jackson & SILVEIRA , Isis. As portas do Paraibuna.

In : Tribuna de Minas. Juiz de Fora: 31 de maio de 1997.

SCHUWARTEN , Sebastião Edson . Lançamento de efluentes Industriais,

postos de combustíveis, lava jatos de veículos, transportes coletivos e

esgoto doméstico no Rio Paraibuna de Juiz de Fora – MG. Juiz de Fora: 1996, 1p.

Um rio mais limpo a partir deste ano. In: O GLOBO.

InfoGlobo Comunicações Ltda., 27 de maio de 2001.

WEISS, Denise Barros. Elaboração de textos técnicos e científicos.

Material didático para o curso de Geografia. Juiz de Fora, 2001. 70p.

Cesama, Setor Meio Ambiente.

Doação dos alunos do curso de graduação em Geografia da UFJF, Julho de 2001.

 

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