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Rio Paraibuna

O nome do rio foi assim denominado pelos índios Caxinoás que viveram nesta região e atribuíram ao mesmo o nome de Parayuna por apresentar águas escuras devido as rochas de seu fundo (formações de granitos). O mesmo rio que na época foi testemunha de guerras, transporte de ouro e diamantes até a total industrialização de nossa região.

HIDROGRAFIA:

A cidade de Juiz de Fora possui uma rica rede de drenagem com várias artérias de pequena extensão.

A bacia do Paraibuna é formada por três rios principais: o Paraibuna, o kágado e o Peixe. O Paraibuna nasce na serra da Mantiqueira a 1.200 m de altitude e depois de percorrer 166 Km lança-se à margem esquerda do Rio Paraiba do Sul a 250 m de altitude.

O Rio Paraibuna segue no sentido noroeste – sul sudoeste, recebendo pequenos afluentes. A formação de terraços facilita a agricultura, ainda que pouco desenvolvida na região. Os 3 principais afluentes são: Rio Preto e Rio do Peixe ficam à margem direita e o Rio Kágado localizado à margem esquerda do Paraibuna.

Após receber o Rio Preto, o curso do Paraibuna passa a acompanhar a estrada de Ferro R.F.F.S.A tornando a partir daí o limite natural entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O modelo natural se dá devido à resistência horizontal das formações de argilas.

A formação de terraços e planos alveolares ao longo do curso médio do Paraibuna é ajudado pela dissecação das colinas.

Ao descer a escarpa da Mantiqueira, o Paraibuna passa a ter uma declividade em seu alto curso. Na região compreendida entre Chapéu D’Uvas e o centro de Juiz de fora o Paraibuna desce devagar com pequena declividade, em pontos excepcionais as características se alteram devido à formações rochosas.

Após a ponte Getúlio Vargas o regime do Rio torna-se torrencial, junto ao abrigo Santa Helena. À partir daí, o rio passa serpenteando um estreito e profundo vale rochoso, sendo entrecortado a pequenos intervalos por sucessivas corredeiras.

Próximo à usina de Marmelos o rio retorna sua declividade até Sobragy.

O Rio Paraibuna segue retilíneo dentro do município de Juiz de Fora, numa faixa de 32 Km de extensão com 4m de desnível por quilômetro.

Entre a ponte Pedro Marques (avenida Rio Branco) e Antônio Carlos (Rua Carlos Otto) há uma sensível elevação do fundo do rio, agravada pela decantação de descargas sólidas, retiradas pelo córrego Matirumbide e Ribeirão do Yung (em Linhares). Entre as pontes Arthur Bernardes (Rua Halfeld) e Antônio Carlos, a caixa fluvial apresenta insuficiência, provocando remanso de 1 m. O rio apresenta trechos de corredeiras fortes e outros de remanso com meandros. O primeiro, realça o potencial hidrelétrico e o segundo evita transbordamentos.

As ribas do Paraibuna são levemente inclinadas, baixas, argilosas e cobertas de vegetação. Seu é formado de pedra, areia, saibro e material sílico-argiloso.

Partindo de Barbosa Lage, o canal implantado pelo Departamento Nacional de Obras e Saneamento com 52m, passa a ter uma redução na largura, atingindo 40m após ultrapassar o afluente Três Pontes, em Benfica.

A calha natural em Benfica tem 25m de largura até Dias Tavares e em Chapéu D’Uvas 15m.

O Paraibuna é classificado como Tropical Austral, ou seja, possui época de águas baixas e época de águas altas.

Em época de cheias, o Paraibuna, leva de roldão ilhotas de assoreamento que se formam na seca. Isto se deve à falta de vegetação e florestas. Ocorre rápido escoamento superficial que agrava a erosão e não armazena água necessária para suprir o rio na época seca, sem falar das enchentes. Em setembro os solos ficam mais secos.

O APROVEITAMENTO DO RIO PARAIBUNA:

Apesar de modestos, os ribeirões dos Burros ou dos Pintos é responsável por alimentar a represa Dr. João Penido e tem um grande potencial hídrico.

Para atender a agricultura local alguns afluentes são represados. A irrigação artificial seria de grande incentivo ao setor agrícola e as perdas de colheitas seriam evitadas no prolongamento das secas. Fora das áreas industriais, há uma série de terraços não utilizados que seriam formidáveis para o desenvolvimento agrícola.

O potencial hidrelétrico já foi absorvido e a cidade recebe suplementação de energia para atender a crescente demanda.

A açudagem para a agricultura e controle de cheias pode fazer renascer o potencial do Paraibuna neste Setor.

Suas águas já abrigaram uma grande fauna fluvial.

O AFLUENTE RIO DO PEIXE:

Nasce em Lima Duarte, nas Serras Gerais, a 1200 m de altitude subafluente do Rio Paraiba do Sul pela margem direita a 500 m de altitude. Seu trecho final é limite de Juiz de Fora e Belmiro Braga e entre este e Matias Barbosa. São 140 Km de extensão com 70 Km banhando terras de Juiz de Fora. Fornece considerável potencial agropastoril. Uma de suas quedas, a cachoeira da Picada, tem condição de fornecer 76.500 KW de energia.

O AFLUENTE RIO KÁGADO:

Nasce em Chácara, próximo a Coronel Pacheco com 750 m de altitude. Corre no sentido SSW-ENE, depois N-S, passando a seguir a W-E e, finalmente, NE-SW, vindo a desaguar no Paraibuna pela margem esquerda com 300 m de altitude. É limite entre Juiz de Fora e Bicas. Dos 105 Km de curso, apenas 11 Km banham Juiz de Fora. Em seu vale se extrai calcário. Seu território municipal está em Sarandira, distrito de Juiz de Fora e é setor ideal para indústrias pesadas.

A REPRESA DR. JOÃO PENIDO:

A área da bacia do Ribeirão dos Burros (antigo Córrego dos Pintos) é de 68 Km², sua barragem propiciou fonte de abastecimento de água em qualidade e quantidade com altitude satisfatória. É difícil avaliar sua capacidade atual devido ao processo de colmatação e assoreamentos graves em sua bacia de acumulação. Estudos apontam sua reserva com capacidade de sustentar além da Segunda adutora, a futura duplicação da linha de adução.

AFLUENTES DO PARAIBUNA:

O Rio Paraibuna percorre nove cidades: Antônio Carlos, Santos Dumont, Ewbanck da Câmara, Matias Barbosa, Simão Pereira, Belmiro Braga, Santana do Deserto e Chiador e é claro, Juiz de Fora com 70% do seu curso.

Os afluentes dentro da zona urbana são: Ribeirão Ipiranga, Lamaçal, Matirumbide, Yung, São Pedro, Carlos Chagas, Humaitá, Ribeirão das Rosas, Facit, Artilharia, Rib. Dos Burros, Santa Cruz, Três Pontes e Ribeirão do Espírito Santo.

À jusante da barragem de Chapéu D’ Uvas temos:

1) Córrego Taboões (margem esquerda);

2) Ribeirão Estiva (margem esquerda);

3) Ribeirão do Espírito Santo (margem direita);

4) Córrego Três Pontes (margem direita);

5) Córrego Santa Cruz (margem direita) - Obs: O Córrego Nova Era II deságua do Santa Cruz;

6) Ribeirão dos Burros (Represa João Penido) (margem esquerda);

7) Córrego da Artilharia (margem direita);

8) Córrego Facit (margem direita);

9) Ribeirão das Rosas (Muçungê) (margem esquerda);

10) Córrego Humaitá (margem direita) – Milho Branco;

11) Córrego Carlos Chagas (margem direita);

12) Córrego da Tapera (margem esquerda);

13) Ribeirão São Pedro (margem direita);

14) Córrego Matirumbide (margem esquerda);

15) Ribeirão do Yung (Linhares) (margem esquerda);

16) Córrego Independência (onde o Lamaçal deságua - margem direita) - Obs: O Córrego do Lamaçal deságua no Independência;

17) Córrego Ipiranga (margem direita) – deságua a jusante da cidade – este recebe córregos do acesso a Salvaterra, São Judas Tadeu, Vale Verde, etc.

A importância do rio Parayuna , inicia-se junto à corrida do ouro em Minas Gerais.

Preocupado com os ladrões que fugiam do fisco português, em 1703 o rei de Portugal encarregou o sertanista Garcia Rodrigues Paes de fazer uma picada que partindo da borda do campo, fosse a raiz da serra, no Rio de Janeiro. Este novo trajeto denominou-se “caminho novo que seguia a margem esquerda do Rio Paraibuna, afastando-se do rio apenas para desviar de grandes montanhas, por onde passariam tropas carregadas de ouro e diamantes extraídos das minas. Esta viagem de Minas Gerais para o Rio de Janeiro levava no mínimo doze dias.

O caminho novo era rota comercial, econômica e estratégica, lugar de tocaias e assaltos. Em seu trajeto surgiram ranchos, hospedarias e postos de fiscalização das riquezas. Em sua volta surgiram os primeiros povoamentos. Santo Antônio do Paraibuna (Juiz de Fora), Borda do Campo (Barbacena) e João Gomes (Santos Dumont).

Através das sesmarias, que eram terras doadas pelo governo imperial a nobres e súditos que prestavam serviços à coroa, foi estimulada a fixação de famílias neste chão.

O caminho novo funcionou até 1836. Nesta época o povoamento de Paraibuna, que foi o seu primeiro nome, para em seguida ser chamado de Santo Antônio do Paraibuna (atual Juiz de Fora), era formado por pequenas e poucas casas, e precisava ser melhorada a comunicação entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Foi então que o governo da província atribuiu ao engenheiro Fernando Henrique Guilherme Halfeld a função de construir um novo acesso entre os dois estados, chamado de estrada de rodagem do Paraibuna. Halfeld seguiu parte do traçado do caminho novo, mas mudou a rota a partir de região conhecida como Benfica.

Nesse tempo, o povoamento de Santo Antônio do Paraibuna ocupava apenas o lado esquerdo do rio. Com o novo trajeto que o engenheiro havia projetado usando o lado direito, fez com que fosse ocupada a colina do Alto dos Passos, abandonando assim o núcleo da antiga fazenda de Juiz de Fora.

A estrada do Paraibuna deu origem à rua principal, atual Avenida Rio Branco. Em 1850, os fazendeiros começaram a ocupar em torno da Avenida, onde formou-se um comércio forte.

Em 1860 esta estrada também não suportava mais o trânsito, então o barbacenense Mariano Procópio, construiu a estrada União Indústria . Mas esta durou pouco tempo em seu apogeu por diversos problemas, caindo no esquecimento. Seis anos após sua construção, chega a ferrovia Dom Pedro II, conseguindo transformar Juiz de Fora em um Polo Industrial, facilitando o escoamento da produção cafeeira em Minas.

Com o crescimento da cidade e a vinda dos imigrantes, trazendo a industrialização, o Rio Paraibuna destacou-se mais uma vez por seu potencial hídrico. O industrial Bernardo Mascarenhas construiu a primeira Usina Hidrelétrica da América do Sul, inaugurada em 1889. As águas da cachoeira de Marmelos transformaram Juiz de Fora na Manchester Mineira de Rui Barbosa. Esta primeira hidrelétrica chamava-se Marmelos Zero e produzia 250 KW, o suficiente para abastecer 1.080 residências na época. Oito anos depois foi inaugurada a Usina 1, com potência energética 8 vezes maior. Em 1915 foi inaugurada a Usina 2 e duas décadas depois a Usina 3, e em 1950 a Usina 4, todas próximas a Marmelos.

Até hoje 12,5% do Abastecimento energético de Juiz de Fora é mantido pelas usinas do Rio Paraibuna, conhecidas como Joasal, paciência e Marmelos.

A energia elétrica deu força para a industrialização da região. No fim do século XIX, Juiz de Fora já contava com 20 indústrias, destacando-se o Setor Têxtil. Mas com essa industrialização teve início a morte do Rio Paraibuna.

A industrialização trazia cada vez mais pessoas em busca de emprego e no ano de 1880 o município já contava com 6.000 habitantes. As matas ciliares desde então já vinham sendo destruídas pelo plantio do café. Com a queda do café veio a era do leite. Nova modificação foi feita para implantação de pastos, o que aumentou o assoreamento e a erosão das encostas.

Enquanto isso a cidade crescia sem se preocupar com o Paraibuna, que era considerado um rio muito tortuoso e que às vezes incomodava. Foram feitos vários aterros para maior comodidade da população. Modificando a calha do rio e diminuindo a sua vazão, principalmente na época das chuvas.

Foi nos anos de 1906 e 1940 que a população acordou para o que tinha feito ao rio. As enchentes tomaram conta das partes mais baixas da cidade, atingindo as regiões de Costa Carvalho, Largo do Riachuelo, Mariano Procópio, Avenidas Getúlio Vargas, Rio Branco, Francisco Bernardino e Praças João Penido e Antônio Carlos, chegando as águas a mais de 2 metros de altura.

As autoridades da saúde providenciaram vacinas para a população, a fim de evitar um surto epidêmico.

Depois de 1940, a cidade de Juiz de Fora passou a fazer parte do programa especial de defesa contra enchentes e recuperações de vales, do governo federal. Então resolveram fazer a retificação do rio.

O Departamento Nacional de Obra e Saneamento modificou o curso do rio no perímetro urbano, fazendo dragagem, desmonte de rochas, escavações, aterros, proteção das margens, reconstrução e alargamento de pontes, desvio da rodovia União Indústria e desapropriações.

O trabalho visou aumentar a declividade na zona urbana, expandindo sua capacidade de vazão de 120 para 340m³ por segundo, como se encontra até hoje. Após ultrapassar a área central da cidade, o rio segue seu curso normal.

Em 1960, com a construção da Avenida Brasil, a calha do Rio Paraibuna foi ampliada e suas curvas ganharam um traço mais harmônico.

Bibliografia

STAICO, Jorge. A Bacia do Rio Paraibuna em Minas Gerais.

“A Natureza”. Juiz de Fora: UFJF, 1997.246p.

SAMPAIO, Jackson & SILVEIRA , Isis. As portas do Paraibuna.

In : Tribuna de Minas. Juiz de Fora: 31 de maio de 1997.

SCHUWARTEN , Sebastião Edson . Lançamento de efluentes Industriais,

postos de combustíveis, lava jatos de veículos, transportes coletivos e

esgoto doméstico no Rio Paraibuna de Juiz de Fora – MG. Juiz de Fora: 1996, 1p.

Um rio mais limpo a partir deste ano. In: O GLOBO.

InfoGlobo Comunicações Ltda., 27 de maio de 2001.

WEISS, Denise Barros. Elaboração de textos técnicos e científicos.

Material didático para o curso de Geografia. Juiz de Fora, 2001. 70p.

Cesama, Setor Meio Ambiente.

Doação dos alunos do curso de graduação em Geografia da UFJF, Julho de 2001.

 

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